Leonardo tem 16 anos, é um jovem corajoso, sonha em ser maratonista e vive com sua mãe, Marta, na comunidade Pavão-Pavãozinho, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, já que seu pai os abandonou ainda quando Léo era criança. Pelo fato de terem somente um ao outro, filho e mãe desenvolveram um forte instinto de proteção deles mesmos. É recíproca a vontade de realizar o desejo do próximo, o esforço é sempre evidente, apesar da condição financeira em que se encontram.

Em um sábado ensolarado, curtindo seu único dia de folga na semana, Marta passeava com seu filho pelas ruas de Copacabana, quando Léo se apaixonou por um videogame em promoção que estava estampado na vitrine de uma loja, porém sua mãe, com o bolso apertado, já antecipou que não poderia comprar, o que o fez virar uma fera. Mesmo emburrado com ela, seguiu andando, quando percebeu a movimentação estranha de um rapaz cuja fisionomia lhe era familiar. Logo o homem aproximou-se dos dois e roubou o cordão de ouro da mãe, que era tinha valor sentimental para a família, pois havia passado de geração a geração.

O filho, agora emburrado e com raiva, pois achou que poderia ter previsto a ação de roubo — já que vira que o ladrão os perseguia —, não pensou duas vezes e correu em direção a ele, confiando em seu bom porte físico, que tinha em razão do sonho de ser atleta. Porém, quando parecia estar quase alcançando o ladrão, viu o meliante cometer outro crime, ao roubar a bicicleta de um jovem que passava pelo caminho. Mais perto, Leonardo pôde conferir com mais exatidão o rosto do sujeito e o reconheceu da comunidade em que mora e, por isso, presumiu que lá também fosse o lugar onde residia o rapaz.

Então, encontrou sua mãe e foi até o início da ladeira do morro relatar ao plantão da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) o que havia acontecido e esperar o criminoso passar por lá, onde era a única entrada do Pavão-Pavãozinho. Uma hora mais tarde, a polícia conseguiu capturar o homem e devolver-lhe o cordão que fora roubado, além de entregar a bicicleta ao dono, que, naquela altura, estava na delegacia registrando a ocorrência.

Exaustos, mãe e filho foram para casa a fim de descansar e agradecer por estarem com saúde. Já em seu lar, Marta disse que, apesar de ser um objeto que traz lembranças da falecida avó de Léo, iria vender o cordão, pois se deu conta de que um objeto pode ser perdido, danificado ou roubado e que o sentimento está no coração, além do que, com o dinheiro da venda, poderia presentear seu único e amado filho com o videogame que ele tanto queria.

Luiz Augusto Duarte de Araujo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O último ato heróico