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Aquele dia parecia como qualquer outro na rotina de Márcia. Nascida em uma área de classe média de São Paulo, não queria mais morar na casa dos pais e, com a finalização em sua formação de fisioterapeuta, poderia ter a tão desejada independência e trabalhar com o que sempre quis: cromoterapia. Como uma boa pisciana, sempre se considerou uma pessoa equilibrada ou, como ela mesma diz, com todos os chacras alinhados. Conforme a terapia das cores, podemos dizer que seu dia começou azul, tom frio, portanto, relaxante. Mas, algumas horas depois, o azul deu lugar ao amarelo, um tom acima, após receber a ligação de um recrutador chamando-a às pressas para uma entrevista de emprego, em um centro de orientação espiritual voltado para a cromoterapia, naquele mesmo dia, depois de ocorrer uma desistência. Márcia não tinha carro, seus pais não estavam em casa e ela, tampouco, sabia o que vestir. Decidiu, então, ligar para sua vizinha Maria, que a ajudou emprestando uma roupa social adequada e se o...
         Tatiana morava em um apartamento em Ipanema com seu pai, José, sua filha, Marina, de dez anos, e seu marido, Alberto. A presença do avô da menina na casa, para a qual se mudara recentemente, incomodava muito a mãe por causa de questões não resolvidas da sua infância. O velho era militar e sempre fora muito duro com suas filhas, em especial com Tatiana, a caçula. Havia uma grande necessidade de que ela fosse forte a todo momento e soubesse se defender. Seu José, mesmo balançando em silêncio na cadeira ao canto da sala, trazia à tona aflições há anos enterradas.   Em um certo sábado, a casa contava com uma visita: Antônio, melhor amigo de Marina. As crianças brincavam desde a manhã, já que o parceiro dormira lá na noite anterior, mas com o chegar da tarde clamavam pelo almoço. Os dois cismaram com a ideia de comer fora e a mãe preferiu não discutir; além disso, era uma oportunidade de se abstrair do clima opressor reinante no apartamento. Assim, ...

O último ato heróico

Mr. Corona, nascido no planeta Z469, era um Semideus protetor do povo e erradicador de doenças. Ele sempre teve uma grande rixa com o pai, que queria dominar a Terra. Um belo dia, depois de uma briga com ele, Mr. Corona fugiu de Z e tomou o rumo da Terra, pois seu pai criara uma doença para atacá-la. No caminho, percebeu que seu amigo Johnson, o estava seguindo, com a intenção de ajudá-lo na sua jornada.             Nosso herói, acompanhado do seu talismã, sua máscara, chegou a seu destino e percebeu que o vírus que seu pai enviara já tinha virado uma pandemia. Sem hesitar, Mr Corona foi ao epicentro da pandemia, a China. Por lá, deu suporte aos médicos com seu amigo Johnson. Através do uso de seu talismã, a máscara, conseguiu curar quase toda a população local. Seu trabalho não parou por aí, atuando também nos países europeus.             Com o seu sucesso, Mr. Corona dec...
Uma família de classe média que mora em Nilópolis, Baixada Fluminense, decidiu passar as férias em um apartamento que havia comprado na Barra da Tijuca.  Como ficariam vários dias, havia a necessidade de levar muitas roupas, comidas e objetos de utilidade própria de cada um. Ao transferir as malas e bolsas para o carro, perceberam que não sobraria espaço para mais nada. Era uma sexta-feira, Tony e sua família arrumaram o carro, puseram nele todos os seus pertences e saíram em direção à Zona Oeste do Rio. Durante o trajeto, Tony resolveu escolher caminhos pelos quais não costumava dirigir e que são considerados de risco naquela área. Já era noite, mas mesmo assim ele decidiu arriscar, pois afirmou que, por aqueles atalhos, chegariam à casa mais rápido. No momento em que estavam em um bairro desconhecido, um carro parou em frente ao da família. Logo em seguida, dois homens saíram dele armados, ordenando que o motorista descesse. Desesperado e nervoso, Tony colocou seu celul...

Maracanã

Após um grande descontentamento em sua empresa, Frederico adentrou o carro novo e partiu para o Maracanã. Depois de alguns minutos, estacionou o veículo e seguiu em direção ao estádio, que por sinal estava com todos os ingressos vendidos. Mesmo com dificuldade, ele encontrou um assento bem atrás do gol, seu lugar predileto. Logo abriu um aplicativo de esportes para   se informar sobre o time adversário enquanto aguardava o início da partida. Foi quando, de maneira discreta, observou que havia um ar de estranheza vindo de dois homens que estavam sentados bem ao lado. Quando foi se retirar, um deles o cutucou com um canivete, o que o fez chegar à seguinte conclusão: estava sendo assaltado. Um dos meliantes deu-lhe uma ordem, sussurrando: “Quero o celular e a carteira, vamos , passa tudo”. Em fração de segundos, Frederico lembrou que havia sacado uma boa grana para ir ao bar após o jogo e não queria perder o dinheiro. Com muito medo de ser pego, tentou ludibriar os assalt...
A cidade do Rio de Janeiro é mundialmente famosa por suas belezas naturais, principalmente as praias, que, sempre que há sol, são muito frequentadas pela população. Entre alguns jovens, um dia sentados na areia com os amigos pode ser um dos melhores lazeres. Matheus, um garoto inseguro e bem tímido, estava assim na praia de Ipanema com sua namorada, a Luiza. Eles esperavam alguns amigos chegarem, conversando muito e bebendo um refresco.   Até que um jovem apareceu e se sentou ao lado deles, mas, como a praia estava cheia, não se importaram. Depois de alguns minutos, o Matheus foi dar um mergulho na água e então o desconhecido abordou a Luiza com uma arma que estava em sua cintura, mandando-a entregar a bolsa. Saindo da água, Matheus viu sua namorada assustada e apontando para o cara, que estava prestes a fugir e também os banhistas, que começaram a gritar que estava acontecendo um assalto. Matheus sabia que não podia fazer nada, visto que ele era um garoto simples, que não sabi...
Matheus era um jovem de vinte anos, que sempre frequentava o Maracanã em jogos do Flamengo. Certa vez, ele passou de fase na Libertadores – competição internacional – e iria enfrentar o Olimpia, forte clube do Paraguai. Matheus, como qualquer torcedor fanático, sempre quis sair do Brasil para acompanhar seu time, mas a falta de dinheiro era um problema para ele e sua família. Porém, José, pai de Matheus, sabia do sonho que o garoto tinha e redobrou suas horas de trabalho, como taxista, para pagar ao filho essa viagem. Logo, o esforço do pai coincidiu com a aprovação de Matheus em uma faculdade federal, após dois anos de tentativas. Dessa maneira, José não teve dúvidas: apesar da dificuldade financeira, deu de presente para seu filho o ingresso da partida, e as passagens de ida e volta em um ônibus de flamenguistas para Assunção, no Paraguai. Dois dias antes do jogo, Matheus saiu da sua comunidade, vestiu a camisa rubro-negra e foi para essa jornada. Ao chegar no ponto de enco...
Leonardo tem 16 anos, é um jovem corajoso, sonha em ser maratonista e vive com sua mãe, Marta, na comunidade Pavão-Pavãozinho, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro, já que seu pai os abandonou ainda quando Léo era criança. Pelo fato de terem somente um ao outro, filho e mãe desenvolveram um forte instinto de proteção deles mesmos. É recíproca a vontade de realizar o desejo do próximo, o esforço é sempre evidente, apesar da condição financeira em que se encontram. Em um sábado ensolarado, curtindo seu único dia de folga na semana, Marta passeava com seu filho pelas ruas de Copacabana, quando Léo se apaixonou por um videogame em promoção que estava estampado na vitrine de uma loja, porém sua mãe, com o bolso apertado, já antecipou que não poderia comprar, o que o fez virar uma fera. Mesmo emburrado com ela, seguiu andando, quando percebeu a movimentação estranha de um rapaz cuja fisionomia lhe era familiar. Logo o homem aproximou-se dos dois e roubou o cordão de ouro da mãe, qu...
Era a primeira viagem internacional de Helena. Desde os 14 anos, quando começou a estudar francês, ela sonhava em fazer um intercâmbio. Seu sonho se tornou realidade dois anos mais tarde, quando finalmente seus pais lhe deram permissão para realizar a sua jornada. A superproteção parental tinha um motivo: ela nasceu prematura, e quase não sobreviveu ao parto. Desde então, o medo de perdê-la era tão grande que Clarice e Fábio insistiam em mantê-la sempre por perto. Até chegar o dia da temida separação. O voo estava marcado para as 21h. No entanto, na tentativa de permanecer reunida o máximo de tempo possível, antes de um longo afastamento, a família acabou perdendo noção do tempo e entrou no aeroporto em cima da hora. Na despedida, Clarice, muito religiosa, entregou à filha um delicado colar de ouro, cujo pingente tinha o formato de uma cruz. “Esse colar esteve comigo nos momentos de maior necessidade, e vai protegê-la também”, disse a mulher, chorosa, despedindo-se da men...

A consulta remarcada

Atrasada para a consulta do dentista, Cristiana pegou a chave do carro e partiu. Surpreendentemente, as ruas se encontravam vazias e, assim, conseguiu chegar a tempo. O local de espera da clínica estava lotado, mas por sorte encontrou um assento disponível. Ao seu lado, havia uma mesinha com revistas em cima, e ela pegou uma e folheou as páginas para se entreter enquanto não era chamada para o atendimento. A porta da clínica abriu e um idoso acompanhado de um jovem entraram. Em seguida, ela ouviu gritos e demorou um tempo para entender o que estava acontecendo: os pacientes que tinham acabado de chegar eram na verdade assaltantes. Em fração de segundos, os dois homens pegaram suas pistolas e demandaram que todos deixassem seus pertences e joias no meio da sala de espera. Em choque, Cristiana lembrou que em sua bolsa havia dois celulares, o seu e um antigo que usava apenas para emergência. No momento em que os assaltantes viraram as costas a ela, com o coração saindo pela bo...
Clara era uma jovem muito dedicada. Depois de estudar muito durante o Ensino Médio, ela foi aceita em uma universidade federal e teve que se mudar sozinha para Niterói, para cursar Publicidade, deixando toda sua família em Cabo Frio. Ela conseguiu um apartamento a algumas ruas de distância do campus, uma caminhada de entre dez e quinze minutos, e o divide com mais três estudantes. Por ser uma aluna muito aplicada, um de seus professores ofereceu-lhe um estágio dentro da universidade, na Empresa Júnior. Ela aceitou com prontidão, mesmo sabendo que seus horários seriam complicados – ela ficaria até tarde ali e teria que voltar para casa andando sozinha e à noite. Ainda na sua primeira semana de estágio, Clara se viu amontoada em trabalho. Ela e outros colegas ficaram enrolados com o planejamento da campanha de uma empresa, que aparentemente era um dos maiores projetos que eles já haviam recebido em algum tempo. Mesmo assim, a data de entrega estava próxima e eles não estavam nem na...
O nome dele era Pedro. Ligeiro com os pés e com a mente, sempre se sobressaiu por ser destemido e perspicaz. Nasceu de sete meses. Segundo as enfermeiras da maternidade, passou a sua primeira noite de vida acordado. Começou a andar aos cinco meses. Um dia, quando tinha 16 anos, foi chamado para jogar Pokémon Go com seus amigos na rua. Sem grande pestanejo, foi ao encontro deles na praça do bairro onde morava. No caminho para seu destino, no entanto, foi parado por uma senhora de idade, que lhe disse para amarrar o tênis. Contrariado, Pedro agradeceu o conselho, amarrou seus cadarços e seguiu seu caminho. Chegando à praça, cumprimentou sua trupe, que já estava no lugar. Juntos, partiram para caçar os monstrinhos virtuais em seus smartphones. Começaram pela praça, mas aos poucos, foram se aventurando pelas ruas. Na esquina da avenida principal com uma pequena ruela, os meninos foram abordados por um homem de bicicleta. Primeiro, não entenderam o que ele disse, mas d...
Era um início de tarde de inverno na linda cidade do Rio de Janeiro como outro qualquer: as escolas encerravam seus turnos da manhã e os alunos mais velhos se preparavam para ir comer e retornar logo depois, para as aulas vespertinas. Entre esses, estava Tiago, um jovem magro e distraído, com poucas aspirações grandiosas para seu futuro. Uma pessoa bem simples, apesar dos frequentes hematomas nos braços, consequência de suas aulas de ninjútsu, incentivadas pelo avô. Em uma das usuais caminhadas solitárias até sua casa para almoçar, o jovem reparou que havia uma pessoa seguindo-o muito de perto. Quando olhou de lado o reflexo da janela de um carro estacionado, viu outro rapaz, olhando fixamente para ele e com uma feição apreensiva. Tiago logo entendeu o que estava para acontecer: ele sofreria uma tentativa de assalto. Pensando no que fazer, passou pela sua cabeça que deveria deixar as coisas acontecerem e que isso seria melhor para sua segurança. Porém, veio-lhe a memória de seu a...

A Caminho do Trem

Era um fim de tarde de sábado como qualquer outro, quando Jim terminou sua aula de krav magá, no Méier. Demorou um pouco mais do que costumava a sair, pois conversava animado com seu professor. Distraído, enfim olhou para o relógio e viu que já estava tarde.   Ao deixar a academia em direção à estação de trem, se encontrava imerso em seus pensamentos sobre os ensinamentos de seu mestre, até que um acontecimento o tirou da inércia. Havia dois jovens na rua, armados e mascarados, correndo em direção a Jim. Assustado, percebeu que logo seria assaltado. Rapidamente lembrou que escondera o celular em sua roupa íntima, e um dinheiro reservado no calçado, costume que possuía desde que seu pai fora furtado. Sabendo que seriam insistentes, teria que entregar algo, nem que fosse seu relógio. Quando os meliantes deram voz de assalto, apontando a arma para a sua cabeça e demandando todos os pertences de Jim, uma ideia perigosa lhe ocorreu. Visto que os assaltantes eram jovens de baix...
Dante era um rapaz cheio de saúde, corajoso e otimista. Filho de mãe solteira, desde novo sobreviveu consciente da realidade financeira da família, mas nunca desistiu de vencer na vida, o que o tornava um lutador dia após dia. Em uma tarde, chegava ao fim mais um expediente, porém esse tinha sido especial: recebera seu primeiro salário. O menino generoso não via a hora de poder chegar a casa com a quantia para ajudar nas despesas domésticas. Aos 15 anos, já se orgulhava de poder contribuir com sua mãe e mostrar-lhe que o empenho em sua criação tinha sido muito bem feito. In­felizmente, o dia passaria de especial a um dos mais aterrorizantes de sua vida em questão de poucos minutos. O caminho entre a casa e o trabalho de Dante era longo, então, como a maioria dos trabalhadores, ele utilizava o ônibus como condução. Ao entrar, se sentou na primeira fileira de cadeiras, abraçou forte sua mochila que carregava a recompensa do mês de trabalho e seguiu viagem. Logo no ponto...
Rodrigo não aguentava mais ficar em casa. Preso em seu apartamento fazia dois meses, por conta da pandemia apocalíptica, o advogado perdia um parafuso a cada hora que passava. A vontade já não cabia dentro dele: era hora de ir à praia. Depois de preparar uma pequena bolsa apenas com o necessário e descer para a portaria, o homem deu de cara com Dona Lourdes, a vizinha do andar de cima, que passeava com seu cachorro em frente ao prédio. De sorriso no rosto, a senhora disse, como quem dá bom dia: “Diguinho, querido, use máscara e fique esperto, a rua está perigosa!”. Rodrigo não deu muita atenção ao segundo conselho, ademais, o que poderia acontecer com um homem forte e corajoso, indo dar um simples mergulho na praia às oito da manhã? A única ameaça concreta era o invisível e letal Coronavírus, e por isso a máscara era essencial em sua jornada, como bem havia lembrado Dona Lourdes. Com ela, estava protegido e poderia caminhar sem maiores preocupações. Mas o mundo não era mais o mes...

No Reino de Patos e Cutias

Lento e desidratado, Vitor Marroni, dezenove anos, afastou os cabelos castanhos da cara e soltou um bocejo preguiçoso; a cachaça que lubrificara a festança da noite anterior lhe martelava a cabeça. O digladio das músicas desarmoniosas, oriundas das mil máquinas de caraoquê da feira de São Cristóvão e de seus pretensiosos clientes esganiçados, ainda perfuravam a memória insone do jovem. Talvez a última caipirinha tivesse sido um erro. O gosto de álcool com açúcar ainda pungente em sua boca, virou-se para a janela aberta a fim de pegar um ar. O sol queimou suas retinas secas e pouco viu de primeira, mas logo a paisagem ensolarada de seu condomínio barrense tornou-se nítida. Pensou que era um privilégio acordar nesses ares serenos, mas, como a noite anterior demonstrara, não era ali que a vida acontecia; a cidade era muito mais: mais vida, mais cultura, mais luta. Esse tempo todo, o alarme na escrivaninha gritava incansável, anunciando um prospecto exaustivo: Vitor precisav...

Condomínio

Na cidade do Rio de Janeiro, vivia um garoto comum que tinha poucos amigos e em toda sua vida nunca fora reconhecido por algo que tivesse feito, o que muitas vezes o frustrava por se achar insuficiente. Um dia, após brigar com seu pai, Pedro saiu de casa e começou a fazer o caminho para ir à sua faculdade. Quando estava na metade do percurso, recebeu a noticia de que estava ocorrendo um assalto no condomínio em que vivia. Naquele momento Pedro ficou preocupado com seus vizinhos e sua família, mas foi adiante. Na faculdade, os poucos amigos de Pedro perguntaram-lhe como ele estava se sentindo e falaram para ele voltar para sua casa e ver se o seu pessoal estava bem. Pedro recusou a ideia, pois achava que não poderia fazer nada que pudesse contribuir e seguiu em direção à sua primeira aula. Antes que ela chegasse ao fim, porém, Pedro foi chamado pelo coordenador para ir até a sala do diretor que, bem mais velho e sábio que Pedro, aconselhou-o a voltar e socorrer os seu...

Os três assaltantes

Era um sábado como outro qualquer em que Jaqueline passeava com sua família no shopping. Cansada, decidiu levar para casa as duas filhas, Victoria de nove anos e Rafaela, de um, na companhia da babá. O marido, Rodrigo, resolveu ficar até mais tarde. Pagou o estacionamento e foi em direção à rua. Ao chegar no viaduto que antecede o túnel Zuzu Angel, em frente à comunidade da Rocinha, em São Conrado, Jaqueline se deparou com um trânsito que se estendia por alguns quilômetros. Logo percebeu o que estava acontecendo: um arrastão comandado por três jovens que, drogados e armados, coletavam pertences entre os carros. Rapidamente lembrou de seu trunfo: uma bolsa falsa que carregava desde os tempos de faculdade no banco da frente, com objetos velhos como celular quebrado, carteira rasgada e um batom fora da validade. Os pertences de verdade ficavam na mala do carro, que não seria acessada pelos meliantes. Além de pensar na logística do assalto, não tirava da cabeça a preocupação com suas...
Marcus André era um jovem de catorze anos, que adorava passar o tempo livre com seus melhores amigos. O menino sempre foi muito independente e tentava ver os pontos positivos nas situações de sua vida. No entanto, o constante otimismo de Marcus foi desafiado quando ele teve que se mudar no final das férias escolares. O menino ficou afastado da maioria dos amigos, que moravam em seu antigo condomínio, e teve que se adaptar a um novo local. Certo dia, Marcus resolveu pegar um ônibus para aproveitar o fim de semana na casa de sua tia, que morava perto do antigo prédio. Marcus colocou tudo que seria necessário em uma mochila e resolveu levar o novo celular, para manter contato com sua família. Quando estava prestes a sair de casa, a mãe de Marcus o aconselhou a ir de carro até a casa de sua tia. Ela explicou ao menino que poderia levá-lo até lá sem nenhum problema. Porém, ele não ouviu a sugestão da mãe e resolveu ir sozinho. Apesar disso, Marcus levou um celular reserva que ...