Hoje
contarei a história da Nádia. Uma mulher de vinte e dois anos, independente e
altruísta que, no dia desse caso, estava particularmente triste. Passou o dia
escrevendo em seu diário, coisa que fazia desde muito pequena quando precisava botar
seus sentimentos para fora.
Acontece
que, naquele dia, fazia quinze anos desde que seu pai a abandonara. Além disso,
na época, a mãe da menina não lidou bem com a situação, acabou deixando-a dois
anos após o ocorrido e nunca mais apareceu. Desde então, Nádia mora com sua avó
materna em um bairro na Zona Oeste do Rio.
Sabendo
da tristeza de Nádia, uma grande amiga sua, Carol, chamou-a para fazer uma
viagem naquele mesmo dia. Ainda assim, Nádia não estava com vontade de fazer
nada por conta do que aquela data representava. Contudo, como a insistência foi
grande, Nádia disse que ficaria de ligar para confirmar se iria ou não para
Búzios, já que Carol sairia de casa em algumas horas.
A
avó de Nádia escutou a conversa entre as amigas e foi falar com a neta. Dona
Maria a incentivou a ir, já que ela poderia se divertir e pensar em coisas mais
felizes. Nádia escutou a avó, pegou o telefone e ligou para a amiga avisando
que já estava fazendo as malas. Depois que terminou de se arrumar, Nádia se
despediu de dona Maria e se encaminhou para a porta. Na saída, foi interrompida
por um ''espera!'' de sua avó. Nádia abriu a porta e Maria entregou-lhe o seu
diário e disse para ela usá-lo quando precisasse. Assim, Nádia se despediu e
foi para a frente de seu prédio. Carol chegou com o carro e as duas partiram
para Búzios.
No
caminho, tudo seguia bem até que, em um dos sinais vermelhos, homens se
aproximaram para assaltá-las. Estavam armados e pediram para as duas saírem do
veículo. O carro e seus pertences foram roubados e Nádia ficou apenas com seu
diário, que foi usado para escrever ''carona'' quando ela e Carol pediram
ajuda.
Depois
de um bom tempo esperando, um taxista encostou e disse que poderia levá-las de
volta para casa. Ao sentar-se no banco da frente, Nádia leu o nome do motorista
em sua identificação e entrou em estado de choque ao perceber que aquele era
seu pai. Ela não aguentou e caiu no choro, enquanto confrontava o taxista sobre
o assunto.
Assim
que ela começou a falar, ele a reconheceu e também começou a chorar. Márcio
admitiu seu erro, perguntou se Nádia poderia perdoá-lo e falou que entenderia
se ela não quisesse. Ele disse que tentou procurá-la inúmeras vezes, mas nunca
tinha conseguido nada, já que não tinha mais contato com ninguém da família.
Chegando
na casa de Nádia, depois de deixar Carol na delegacia, seu pai perguntou se
eles poderiam voltar a ter contato e se aproximar aos poucos. Márcio a convidou
para almoçar no dia seguinte, para que ele pudesse se explicar e se desculpar
mais. Nádia aceitou e ficou muito feliz, pois percebeu que graças ao assalto e
ao acaso, ela reencontrara quem ela mais queria.
Julia
Guerreiro
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