Já fazia meses que Marcelo procurava por alguma possibilidade de estágio. Sua vida corriqueira de brigas familiares e currículos negados desmotivava cada vez mais a vida do garoto. Eis que surge a oportunidade de uma entrevista de emprego em uma produtora de filmes muito longe de sua casa.
Em razão de desespero, decidiu pegar a oportunidade e ir até o local. Mas antes deveria escolher alguma roupa adequada para tal momento. Assim, seu pai lhe emprestou um terno que usava quando muito jovem, pois o impacto visual é tão importante quanto a lábia.
O local do trabalho ficava a aproximadamente 70 km de distância, o levando a uma cidade em que nunca pisara o pé. Era uma situação fora do conforto do jovem. No entanto, era preciso dar o próximo passo e dessa forma pegou os dois ônibus necessários para o lugar.
No caminho já percebeu a dificuldade que passaria diariamente caso fosse contratado. Muitas pessoas dentro do transporte, uma estrada esburacada e a falta do funcionamento de um ar condicionado. Ainda por cima, quando chegou no ponto, o caminho até a empresa era distante e confuso demais para decorar.
Quando dentro do edifício, Marcelo já estava cansado e ainda assim precisava dar o seu melhor. Durante a entrevista suou muito, gaguejou e não demonstrou confiança. A sua exaustão atrapalhou completamente seu rendimento.
No caminho de volta para o ponto de ônibus, enquanto preparava seu discurso para a família, o estudante foi abordado por três garotos mais novos que ele. Com facas na mão, pediram o celular e toda a grana da carteira. Agora incomunicável e sem dinheiro para voltar, Marcelo estava no fundo do poço em um lugar em que não conhecia nada.
Visto a circunstância, um homem se aproximou do garoto que estava em prantos. O estranho decidiu levá-lo para a lanchonete mais próxima para comprar uma garrafa de água. Enquanto conversavam e o rapaz contava tudo que aconteceu, se descobriu que o homem trabalhava na área que interessava Marcelo.
Naquela mesma hora foram até seu escritório para conversarem sobre um possível estágio. Dessa vez o garoto se encontrava totalmente confortável para dialogar. A resposta viria nos próximos dias.
Para retornar à casa o sujeito deu o dinheiro de que Marcelo precisava. No caminho de volta, apesar de estar mais feliz com as decorrências do dia, a preocupação de continuar sem emprego ainda martelava a cabeça dele.
Não foi o caso. O jovem foi aceito para o trabalho e agora se sentia animado com a vida. E os problemas que antes tinha foram reduzindo de tamanho.

Arthur Breier de Souza

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