Jane, uma jovem de 22 anos, estudante de Ciências Humanas, Políticas e Sociais na Universidade de Cambridge, pratica artes marciais todas as manhãs e gosta de ler Capote. Tem dois melhores amigos, Candy e Charlie, mora em bairro de classe média, seus pais são separados e suas notas, muito altas.

Depois de um dia cansativo, já chegando em casa, sente sua bolsa vibrar e atende o celular: é Charlie, chamando-a para ir a uma festa. Jane não sabia dizer “não”, era uma coisa que estava praticando na terapia e, logo, responde com “talvez sim”, afinal era sexta.
Corre para casa, se arruma, sai de novo e caminha até o Bar Malaysia, que fica a três quadras de sua casa. Seu celular vibra: é uma notificação do seu professor de Artes Marciais, que diz “sempre a esquerda e depois a direita - tenha concentração, você está ficando boa nisso”. Eram dicas para a próxima aula, que seria na quinta. Agradece-o e guarda o celular.

Durante o trajeto, ouve um grito feminino. Jane tenta ignorar mas não pode, escuta mais um grito e tem que voltar. Anda lentamente e encontra uma mulher, com uns 30 anos e grávida, apavorada, presa por um homem, alto, branco e com barba grande.

O homem percebe Jane e a encara, apontando a arma para ela: “vou matar uma de vocês se não me derem o dinheiro”. Que droga, não tinha nada além de 50 libras. “Fique calmo, está tudo bem” Jane fala. O homem a xinga e a mulher está chorando com as mãos na barriga.

Parecia que estava há séculos lá, negociando com aquele homem, vendo a mulher receosa em perder seu bebê. De repente o homem chora e desabafa que perdeu seu filho há três anos em um acidente de trem.

Jane pergunta sobre os detalhes, sempre cautelosa, e aproveita a situação. Pratica o que leu na mensagem do seu professor e golpeia o homem, que fica imobilizado e chorando ainda. “Corre”, Jane grita para a mulher, e ela o faz.

Em minutos a polícia chega. Megan, a mulher grávida, mais calma, recebe assistência da médica, enquanto os policiais algemam Steven. Jane dá seu depoimento, e o carro da polícia a deixa em casa.

Se perguntassem a Jane como era sua vida no início daquele dia ela poderia, dizer “normal, pacata demais”. Mas depois da tentativa de assalto, ela simplesmente conheceu seu propósito, pois se sentiu útil em ajudar aquela mulher a não o perder seu bebê e salvou vidas.

Jane chega em casa, sua mãe pergunta “Jane, está tudo bem?” e a menina responde que sim. A jovem vai para seu quarto, olha a notificação no celular, é Charlie: “onde você está ? “ e ela responde “descansando, afinal é sexta” e suspira aliviada. Está grata e eufórica. E, é claro, precisa de um banho.

Grasielly Venancio

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