A Caminho do Trem



Era um fim de tarde de sábado como qualquer outro, quando Jim terminou sua aula de krav magá, no Méier. Demorou um pouco mais do que costumava a sair, pois conversava animado com seu professor. Distraído, enfim olhou para o relógio e viu que já estava tarde.
 Ao deixar a academia em direção à estação de trem, se encontrava imerso em seus pensamentos sobre os ensinamentos de seu mestre, até que um acontecimento o tirou da inércia. Havia dois jovens na rua, armados e mascarados, correndo em direção a Jim. Assustado, percebeu que logo seria assaltado.
Rapidamente lembrou que escondera o celular em sua roupa íntima, e um dinheiro reservado no calçado, costume que possuía desde que seu pai fora furtado. Sabendo que seriam insistentes, teria que entregar algo, nem que fosse seu relógio.
Quando os meliantes deram voz de assalto, apontando a arma para a sua cabeça e demandando todos os pertences de Jim, uma ideia perigosa lhe ocorreu. Visto que os assaltantes eram jovens de baixo porte físico e estatura, Jim cogitou em reagir. Contudo, vieram em sua mente as palavras de seu professor de defesa pessoal: A vida é o bem mais importante que você possui, dissera em voz calma.
Após essa lembrança, Jim pediu para que os indivíduos mantivessem a calma, assim logo daria seu relógio e todo dinheiro existente na carteira. Um deles desconfiou de algo errado e solicitou o celular, Jim afirmava não estar com o aparelho, pois fora roubado há uma semana.
Com a explicação, os assaltantes, apressados, pegaram os pertences que Jim entregou e fugiram. Assim que viraram a esquina, o rapaz voltou para a academia e ligou para seu pai, explicando a situação. Seu pai foi buscá-lo no recinto para irem à delegacia e agradeceu ao professor por transmitir também a sua sabedoria para o seu filho.
            Após o registro do boletim de ocorrência, ao chegar em casa, sentiu-se aliviado e orgulhoso por ter mantido a calma, bem como por ter feito a coisa certa. Mas, ao mesmo tempo, agradecia por estar bem e com sua família.
            Através da experiência ocorrida, passará a auxiliar o seu mestre em aulas de como se portar em um assalto. Hoje, sai mais cedo da academia e lembra, em todas as vezes, de como venceu o desafio enfrentado, com uma decisão racional.

Phillipe Caula Cândido

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