A consulta remarcada
Atrasada
para a consulta do dentista, Cristiana pegou a chave do carro e partiu.
Surpreendentemente, as ruas se encontravam vazias e, assim, conseguiu chegar a
tempo. O local de espera da clínica estava lotado, mas por sorte encontrou um
assento disponível.
Ao
seu lado, havia uma mesinha com revistas em cima, e ela pegou uma e folheou as
páginas para se entreter enquanto não era chamada para o atendimento. A porta
da clínica abriu e um idoso acompanhado de um jovem entraram. Em seguida, ela ouviu
gritos e demorou um tempo para entender o que estava acontecendo: os pacientes
que tinham acabado de chegar eram na verdade assaltantes.
Em
fração de segundos, os dois homens pegaram suas pistolas e demandaram que todos
deixassem seus pertences e joias no meio da sala de espera. Em choque,
Cristiana lembrou que em sua bolsa havia dois celulares, o seu e um antigo que
usava apenas para emergência. No momento em que os assaltantes viraram as
costas a ela, com o coração saindo pela boca, pegou o seu aparelho móvel e o
escondeu dentro da calça.
Cristiana
era a única que estava ainda com a bolsa na mão. Um dos assaltantes percebeu e
partiu em sua direção. Largou logo os pertences no meio da sala e rezou para
que não a revistassem.
O
criminoso mais jovem apontou a arma e puxou o colar de ouro que se encontrava
no pescoço dela. Em seguida, trancou-a com os outros pacientes na sala de
consulta, enquanto o mais velho revistava as bolsas deixadas no outro cômodo.
No meio do pânico das vítimas, Cristiana pegou o celular que tinha escondido e
discou “190”.
Devido
ao pouco tráfego de veículos, a polícia chegou no local a tempo e conseguiu
prender os dois homens. Todos recuperaram seus bens e ninguém estava ferido.
Passada a adrenalina, Cristiana não acreditava no que tinha acabado de
acontecer.
Saiu
do consultório médico, entrou no carro e pode finalmente chorar. Ligou para sua
mãe e contou o que tinha ocorrido. Depois de se acalmar, rodou a chave na
ignição e foi para casa.
Sem
dúvidas foi um dia inesquecível e traumatizante, mas Cristiana fica feliz ao
ver esse acontecimento, hoje, como uma história de superação de seus medos e
nervosismos.
Maria
Eduarda Gimenes
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