Dante era um rapaz cheio de saúde, corajoso e otimista. Filho de mãe solteira, desde novo sobreviveu consciente da realidade financeira da família, mas nunca desistiu de vencer na vida, o que o tornava um lutador dia após dia.

Em uma tarde, chegava ao fim mais um expediente, porém esse tinha sido especial: recebera seu primeiro salário. O menino generoso não via a hora de poder chegar a casa com a quantia para ajudar nas despesas domésticas.

Aos 15 anos, já se orgulhava de poder contribuir com sua mãe e mostrar-lhe que o empenho em sua criação tinha sido muito bem feito. In­felizmente, o dia passaria de especial a um dos mais aterrorizantes de sua vida em questão de poucos minutos.

O caminho entre a casa e o trabalho de Dante era longo, então, como a maioria dos trabalhadores, ele utilizava o ônibus como condução. Ao entrar, se sentou na primeira fileira de cadeiras, abraçou forte sua mochila que carregava a recompensa do mês de trabalho e seguiu viagem.

Logo no ponto em seguida, subiram três meninos que logo vestiram máscaras e levantaram armas declarando que se tratava de um assalto. O mais alto gritava: “Passem tudo, mochila, celular, tudo!”. Desamparado, Dante não sabia o que fazer ou a quem recorrer, mas num flash de lucidez, se lembrou de uma oração que sua mãe lhe ensinara quando criança.

Dante tentou se conectar com sua fé e pediu através da oração que ele voltasse vivo para casa. O tempo era passado em câmera lenta, mas tudo aconteceu muito rápido. Para despistar os assaltantes, Dante largou sua mochila no chão e a chutou para trás, escondendo-a debaixo do banco em que sentava, e num gesto resiliente entregou seu celular para a quadrilha.

De repente, ouviu-se o som de sirenes altas da patrulha policial, mas já satisfeitos, os assaltantes deixaram o ônibus.

Depois de todo o susto, Dante respirou aliviado e agradeceu, pois, mesmo de longe, sua mãe o ajudou e sua fé o encorajou ainda mais. O menino ficou sem seu celular, mas são e salvo para voltar para casa e dar continuidade a sua trajetória, munido do sustento daquela família pelos próximos dias. Ao chegar a casa, juntos, mãe e filho, comemoraram e agradeceram pelo duplo presente: a vida de Dante e o salário do mês.

Raíssa Rodrigues

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