Matheus era um jovem de vinte anos, que sempre
frequentava o Maracanã em jogos do Flamengo. Certa vez, ele passou de fase na
Libertadores – competição internacional – e iria enfrentar o Olimpia, forte
clube do Paraguai. Matheus, como qualquer torcedor fanático, sempre quis sair
do Brasil para acompanhar seu time, mas a falta de dinheiro era um problema
para ele e sua família.
Porém, José, pai de Matheus, sabia do sonho que o
garoto tinha e redobrou suas horas de trabalho, como taxista, para pagar ao
filho essa viagem. Logo, o esforço do pai coincidiu com a aprovação de Matheus
em uma faculdade federal, após dois anos de tentativas. Dessa maneira, José não
teve dúvidas: apesar da dificuldade financeira, deu de presente para seu filho
o ingresso da partida, e as passagens de ida e volta em um ônibus de
flamenguistas para Assunção, no Paraguai.
Dois dias antes do jogo, Matheus saiu da sua
comunidade, vestiu a camisa rubro-negra e foi para essa jornada. Ao chegar no
ponto de encontro do ônibus, junto a quinze torcedores partiu rumo a Tarumã –
pequeno município paulista e primeira parada de descanso.
Depois de doze horas de estrada, eles foram passar a
noite em um albergue, mas ansioso para o jogo, Matheus não conseguia dormir e
foi andar pela cidade. Quase nada estava aberto em uma segunda-feira à noite e
as ruas desertas assustavam. O jovem, porém, encontrou outro grupo de
torcedores, que faziam o mesmo trajeto, e conversou o resto da madrugada com
eles.
No dia seguinte, a viagem continuou, entretanto, as
péssimas condições de internet prejudicaram o Waze do ônibus, que alterou a
rota para um caminho desconhecido. Esse redirecionamento levava a uma perigosa
rota de contrabando de cigarros e logo, para piorar, o ônibus atolou na estrada
de barro. Os criminosos, que passavam com as mercadorias clandestinas,
assaltaram os torcedores, roubando todos os seus pertences.
Matheus entrou em desespero e ficou perplexo com a
situação. Afinal, além de a viagem estar prestes a ser arruinada, ele e seu
grupo estavam em um lugar isolado sem qualquer recurso que os pudesse ajudar.
Após horas na estrada, a guarda da fronteira entre Brasil
e Paraguai achou os viajantes e levou-os até Assunção. Assim, eles poderiam
denunciar o assalto e ligar para suas famílias. No entanto, o caso teve grande
repercussão, e a diretoria do Flamengo disponibilizou de forma gratuita 15
ingressos no camarote, com direito a todos os benefícios.
A reviravolta pela qual Matheus havia passado ainda
o deixaria mais feliz. No final da partida, todos esses torcedores receberam a
notícia que ficariam hospedados no hotel da delegação e voltariam ao Brasil no
mesmo avião que os atletas. Logo, o dia que caminhava para ser traumático virou
o melhor momento de toda a sua vida.
Luca Garcia
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