Era um início de tarde de inverno na linda cidade do Rio de Janeiro como outro qualquer: as escolas encerravam seus turnos da manhã e os alunos mais velhos se preparavam para ir comer e retornar logo depois, para as aulas vespertinas. Entre esses, estava Tiago, um jovem magro e distraído, com poucas aspirações grandiosas para seu futuro. Uma pessoa bem simples, apesar dos frequentes hematomas nos braços, consequência de suas aulas de ninjútsu, incentivadas pelo avô.
Em uma das usuais caminhadas solitárias até sua casa para almoçar, o jovem reparou que havia uma pessoa seguindo-o muito de perto. Quando olhou de lado o reflexo da janela de um carro estacionado, viu outro rapaz, olhando fixamente para ele e com uma feição apreensiva. Tiago logo entendeu o que estava para acontecer: ele sofreria uma tentativa de assalto.
Pensando no que fazer, passou pela sua cabeça que deveria deixar as coisas acontecerem e que isso seria melhor para sua segurança. Porém, veio-lhe a memória de seu avô, Tadeu, que sempre lhe dizia que a maior virtude do homem é o poder da autodefesa. 
Assim, decidiu que iria se aproveitar do claro nervosismo do assaltante. Então, virou-se de frente para ele, que puxou um objeto do bolso de trás. 
Por um momento, os dois hesitaram: o rapaz ficou com as mãos nas costas e Tiago apenas o encarou por um segundo. O jovem se lembrou de suas técnicas de ninjútsu e, incentivado por uma força quase sobrenatural, aplicou-lhe um preciso chute na cabeça, forte o suficiente para deixar seu oponente inconsciente.
 Sua adrenalina estava gigante, mas a sua surpresa foi maior quando ouviu um grito de longe de alguém que vinha por trás dizendo “você apagou meu parceiro!” e, ao se virar, viu outra pessoa já com uma pistola apontada em sua direção. Com um reflexo ímpar, Tiago deu rolamento para o lado, desviando do tiro que certamente viria e aproveitou o tempo de coice da arma para se atirar no indivíduo e imobilizá-lo, chutando a arma para longe.
Pouco tempo depois, um pedestre que passava chamou a polícia para levar os bandidos, e Tiago se viu livre, seguro para ir para casa.
 Mas não estava confortável com isso, pois tinha gostado da sensação que sentira após a vitória. Porém, não tinha nada que pudesse fazer a respeito, apenas contar sua história e lembrar para sempre as palavras de seu avô.

Pedro Flexa Ribeiro

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