Maracanã
Após um grande
descontentamento em sua empresa, Frederico adentrou o carro novo e partiu para
o Maracanã. Depois de alguns minutos, estacionou o veículo e seguiu em direção
ao estádio, que por sinal estava com todos os ingressos vendidos. Mesmo com dificuldade,
ele encontrou um assento bem atrás do gol, seu lugar predileto.
Logo abriu um
aplicativo de esportes para se informar
sobre o time adversário enquanto aguardava o início da partida. Foi quando, de
maneira discreta, observou que havia um ar de estranheza vindo de dois homens
que estavam sentados bem ao lado. Quando foi se retirar, um deles o cutucou com
um canivete, o que o fez chegar à seguinte conclusão: estava sendo assaltado.
Um dos meliantes
deu-lhe uma ordem, sussurrando: “Quero o celular e a carteira, vamos, passa tudo”. Em fração de segundos, Frederico
lembrou que havia sacado uma boa grana para ir ao bar após o jogo e não queria
perder o dinheiro. Com muito medo de ser pego, tentou ludibriar os assaltantes,
dizendo que já havia gastado a grana em um lanche no local.
Percebeu que não
poderia gritar por conta dos riscos envolvidos e resolveu na mesma hora entregar
o telefone. Em seguida mostrou os bolsos, exceto o que continha a carteira.
Isso pareceu fazer com que os criminosos comprassem a história.
Mas, em um momento de
descuido, acabou deixando uma nota de 50 cair, estragando o plano. Os dois
homens resolveram tentar levá-lo para um lugar mais reservado, para que
pudessem revistá-lo. Em meio ao pânico interno, Frederico avistou um policial na
saída do túnel e não hesitou: chamou por socorro, correndo para perto do
agente.
Devido à diminuição do
fluxo de pessoas no local, o chamado foi atendido de imediato, ambos os
criminosos foram presos e seus bens, recuperados. Esse momento de tensão fez
com que a vitória do time do coração fosse ainda mais saborosa.
Chegando a seu carro,
ligou para o pai. Estava aos prantos e, depois de contar o que havia sucedido,
apertou o botão do foda-se e foi direto para o bar. Aquela Brahma nunca havia
descido tão bem.
O acontecimento da
noite anterior trouxe uma sensação de poder a Frederico. Ele finalmente havia
aprendido a ser uma pessoa mais atenta ao transitar nas ruas da cidade do Rio
de Janeiro.
Guilherme van der Haagen
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