O nome dele era Pedro. Ligeiro
com os pés e com a mente, sempre se sobressaiu por ser destemido e perspicaz.
Nasceu de sete meses. Segundo as
enfermeiras da maternidade, passou a sua primeira noite de vida acordado.
Começou a andar aos cinco meses.
Um dia, quando tinha 16 anos, foi
chamado para jogar Pokémon Go com seus amigos na rua. Sem grande pestanejo, foi
ao encontro deles na praça do bairro onde morava.
No caminho para seu destino, no
entanto, foi parado por uma senhora de idade, que lhe disse para amarrar o
tênis. Contrariado, Pedro agradeceu o conselho, amarrou seus cadarços e seguiu
seu caminho.
Chegando à praça, cumprimentou
sua trupe, que já estava no lugar. Juntos, partiram para caçar os monstrinhos
virtuais em seus smartphones. Começaram pela praça, mas aos poucos, foram se
aventurando pelas ruas.
Na esquina da avenida principal
com uma pequena ruela, os meninos foram abordados por um homem de bicicleta.
Primeiro, não entenderam o que ele disse, mas depois perceberam que se tratava
de um assalto. Nosso herói então, falou a seus amigos para correrem, mas em voz
baixa, para que o criminoso não os ouvisse.
Em movimentos rápidos, os garotos
saíram correndo e atravessaram a avenida. O homem de bicicleta tentou ir atrás,
todavia, foi impedido por um ônibus que atravessava naquele momento.
Aproveitando essa sorte, Pedro e seus companheiros avançaram para ainda mais
longe do assaltante, até perdê-lo de vista.
Aliviados, porém ainda nervosos,
conseguiram retornar à praça. Deram um genuíno abraço que demonstrou a
cumplicidade da amizade entre eles e se despediram. Exausto, Pedro chegou a sua
casa, teve alguma dificuldade em tirar o tênis, de tão bem amarrados estavam
seus cadarços, deitou-se em sua cama e dormiu pacificamente até o dia seguinte.
Há horas em que a melhor maneira de ser destemido é sair correndo.
Pedro Dantas Fernandes
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